Ensaios

Criei este espaço para escrever alguma coisa, quando tiver vontade...sem compromissos acadêmicos. Falar de mim, da família, de sentimentos, acontecimentos, trabalho...tudo que faz parte da minha vida...partilhando-a um pouco.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Sem a intenção explícita, estabelecemos já a alguns anos um ritual nas férias e recessos escolares dos meninos: o acampamento da família, que consiste, explico, em colocar todos os colchões na sala de tv ou em um dos quartos para dormirmos todos juntos. Aí rolam filmes, que cada um na sua vez escolhe e os outros assistem, mesmo que não sejam muito o seu estilo, mas para prestigiar o gosto do outro e viabilizar que todos façam o mesmo, na sua vez. Tem pipoca, jogos de tabuleiro, lanches tarde da noite, tem implicância, reclamações e broncas...Tem abraço pernada, carinho, "rapa coco". E de manhã se levanta o acampamento para ao entardecer começar tudo de novo...as conversas bobas, os papos cabeça, os combinados para quando as aulas voltarem, os pedidos para comprar alguma coisa, as zoeiras,os puns e as risadas. Sei que existe a corrente dos que pregam a privacidade do casal...blá, blá, blá e eu respeito, ninguém é obrigado a pensar igual, mas o curso da nossa vida nos ensinou que é preciso aproveitar cada momento com quem a gente ama e, cá entre nós, na hora de "namorar" , a gente namora... e muito! Por isso, enquanto puder, quero dormir sentindo o cheirinho deles, segurando a mãozinha do caçula, fazendo cafuné no mais velho e acordar no meio da bagunça mais gostosa do mundo, numa confusão de edredons e travesseiros e caras amassadas e de cabelos esgranhados. Como diz a minha amiga Maura, o tempo voa e quando a gente vê, eles vão embora é ficamos sós ou, a gente "vai embora" e a única bagagem que a gente leva é esse amor vivido e bem vivido.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Não sou uma mulher com câncer. Sou uma mãe em um tratamento punk administrando a chegada da adolescência de um filho, com todos os seus hormônios, angústias, descobertas, alegrias, tristezas e um caçula cheio de energia e peraltice. Estou debilitada em meio a deveres de casa, advertências, paixonites, pesquisas, futebol, desenhos, skates, bicicletas, lanches, basquete, decepções, alegrias, frustrações, playstations, aniversários, amiguinhos, primos, resfriados, machucados, cáries, furos de orelha, tênis, chuteiras e uniformes. Então, para àquela médica da perícia que disse que a partir do diagnóstico meu mundo deveria ser cor de rosa...sinto muito: ele continua azul com bolinhas brancas. E não! Você não sabe o que sinto e sim, nós estamos seguindo em frente.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O que temos para hoje...

Dia 17 de dezembro me submeti à uma mastectomia. Mais um passo para a cura do câncer. Depois da quimioterapia e deste repouso para a recuperação e cicatrização, estou aqui tentando me reencontrar dentro deste corpo redefinido por uma doença. Não sabia que ia doer tanto...A gente não consegue se reconhecer no espelho...mas, graças a Deus, a gente se encontra no olhar das pessoas que nos amam. O que tem para hoje? Um pouquinho de tristeza.😞

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Câncer

Alguns já sabem que amo ler e escrever. Ensaiei algumas vezes teclar algumas palavras desde que fui diagnosticada com câncer de mama, em abril deste ano de 2015. Para quem já era diagnosticada com transtorno de ansiedade, pense meu amigo leitor, quantas pensamentos e palavras povoam minha mente, principalmente nas madrugadas, desde então. Fora a verdadeira preocupação de não escrever nada piegas, do tipo "pobrezinha de mim, estou com câncer", porque nunca tive este sentimento. Em alguns momentos, não posso mentir, tive raiva. Raiva de estar doente, raiva de não poder estar fazendo tudo que preciso e gosto e principalmente raiva da impotência, de descobrir que podemos tentar, mas não comandar a nossa vida. Levou algum tempo e longas conversas com Deus para que eu começasse a compreender um propósito em tudo isso e começar a ser grata por ele. Bom, a primeira coisa que preciso falar é que meu coração (Espírito Santo) me avisou que algo não estava certo. O médico já ia me liberar para o retorno dos próximos 6 meses, dizendo que meus nódulos eram benignos, como os que já acompanho há mais de 20 anos. Mas, eu insisti no incômodo recorrente na minha axila. Então, ele decidiu pedir mais um exame, coletou um material no consultório e enviou para biopsia, só para desencargo de consciência. No dia da consulta, peguei o resultado, sentei na sala de espera e suportei o máximo que minha ansiedade permitiu para não abrir o exame antes de entrar no consultório médico, o que não foi possível, claro. Li: carcinoma ductal infiltrante com comprometimento axilar. Minha mente e acho que todos os meus sentidos e tudo ao meu redor silenciou. O médico me chamou, sentei a sua frente, entreguei o exame, ele leu e fez uma cara de "que merda", olhou para mim e perguntou se eu havia lido. Diante da minha afirmativa, perguntou se eu havia entendido, eu disse que sim também. Aí ele me perguntou se eu estava só. Falei que estava, mas que meu marido trabalhava perto e eu poderia chamá-lo e assim fiz. Em alguns minutos, Anderson estava lá. Eu já estava trêmula e pensei na primeira coisa difícil: contar para minha mãe - ela não merecia essa dor. Pensei nos meus filhos, no meu trabalho, nos primeiros 5km que eu tinha corrido (devagar, rsrsrs) há uma semana. Quando meu marido sentou, segurou forte minhas mãos e me deu forças para irmos direto ao que interessava. Qual era o tratamento, quando começava, qual era o prognóstico de cura. Pego de surpresa, até o médico, pelo resultado, começou a nos falar que as chances eram boas, que começaríamos por fazer outros exames complementares, mas que o caso era cirúrgico, envolveria quimio e radioterapia. Pegamos os pedidos de exames, consegui marcar na própria clínica para a outra semana. Já era fim de tarde e neste momento eu já não controlava mais o choro, por mais que o Anderson tentasse me acalmar e dizer que o tratamento daria certo. Tive vontade de ligar para minha amiga Luciene, pois sempre conversávamos sobre isso e ela havia passado por um caso recente na família. E aí veio a mão de Deus pela segunda vez, sobre mim. Há muitos anos eu escutei a seguinte frase: " Tudo acontece igual aos que creem em Deus, as respostas é que são diferentes." Ela pediu que eu aguardasse onde estava. Em alguns minutos retornou a ligação e me disse que o oncologista que ela conhecia e que era um anjo estava me esperando imediatamente no consultório dele. Eram já 19 horas. Fomos, eu chorando, Anderson tentando me acalmar e quando entramos na sala daquele homem, ele sorriu, me abraçou...o abraço que eu precisava, como se me conhecesse há anos e disse "minha querida, você está curada...eu, você, seu marido e Deus estamos nesta guerra pra vencer." Olhou os exames que eu havia marcado para a próxima semana e disse que eu os iria fazer agora. Ligou numa clínica e pediu que me atendessem imediatamente. Fiz todos os exames naquela mesma noite, acompanhada pelo braço forte do meu esposo, os telefonemas da minha amiga Luciene, que se oferecia o tempo todo para nos encontrar...Naquela noite cheguei em casa e dormi de exaustão e devido ao conforto que recebi do meu marido, da minha amiga e daquele médico que foi voz e braço de Deus para mim, naquele momento. Depois continuamos nossa conversa...porque tenho muito pra falar do que tenho visto, vivido e aprendido. Sei que não tenho relações superficiais, tenho companheiros de vida e amigos verdadeiros que me tomaram no colo seja presencialmente ou em pensamento e orações e com quem preciso dividir tudo isso. Esta foto é de outubro de 2014 - tirada para dar apoio a três amados amigos que estavam com câncer e em memoriam ao meu sogro.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

COMPLICADA E PERFEITINHA
Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros..
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias..
Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'
Martha Medeiros - Jornalista e escritora

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Crianças,
Perdoem nós adultos por tanta maldade...
Perdoem as promotoras de "justiça" por espancarem vocês,
Perdoem os pais que as jogam pelas janelas,
Perdoem aqueles que abusam de suas incências...
Perdoem as mães que não deixam vocês nem nascerem...
Vocês, sem dúvida, mereciam adultos melhores do que nós!
Por favor, Meu Deus...proteja as crianças de nós adultos!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Texto do meu Amor, no dia do seu aniversário (01/04);
Há 32 anos não saio da barra da saia da mãe e nem da aba do chapéu do pai, nem parece que cresci, nesse tempo todo eles foram meu porto seguro. Muitas broncas, mas também muito carinho compreensão e amor.

Também sou irmão há 28 anos. Como era pequenino e só me chamava de irmão, era irmão pra ca irmão pra la e só queria ficar comigo, lembro de uma vez que quando eu fui pra escola ele chorou muito pra ir comigo, ali vi que nunca íamos no separar e teríamos muita historia pela frente.

Pra somar tenho mais outros 23 anos de irmão, essa veio cheia de mimo, era dengada e dengosa, carregava ela na minha "cacunda" o tempo todo, tanto que uma vez não deu tempo de tirá-la antes de fazer xixi, tomei um banho de xixi, hshsh como se estivesse marcando território marcando-me pelo resto da vida, ainda bem que não era coco, seria bem pior, hoje ainda prefiro o xixi a algumas coisas que ela anda fazendo por ai!

O tempo passou e entre tantas coisas, amigos, musicas, futebol etc., há 12 anos sou namorado, um tempo maravilhoso, e exatamente hoje, 1 de abril faz doze anos que a conheço, não só namorado, mas amigo parceiro entre outras coisas.

Pra somar mais ainda, tenho 11 de casado, esse tempo de amadurecimento, não digo um tempo precoce, mas um tempo de crescimento na raça na dor, mas sobre tudo na alegria, na esperança de um dia ser melhor, melhor amigo, melhor marido, cúmplice etc.,

Há 7 anos sou pai, lembro que quando vi o doutor tirar o meu bebezinho da barriga e escutar aquele chorinho, pensei será que consegui amá-lo tanto como sou amado? Mas o meu questionamento cai todo por terra a cada minuto que o vejo e ele me recebe com um - "papai!!!"... Tudo que tento ser ou tenho é por ele e para ele!!!

Por fim tenho mais 1 ano de "papapa", da mesma forma que vi o outro sair da barriga da "mamamã" vi esse tb, e ai o pensamento foi, será que vou amar esse da mesma forma que outro? Bom, com são diferentes, amo-os de formar diferentes, mas com a mesma intensidade, como é gostoso velo sorrindo de tudo e agora andando pra cima e pra baixo, chorando o tempo todo, mas esse bebezinho me trouxe esperança num tempo de aridez e confusões, me trouxe muita alegria em um ano que seria de total tristeza. Enfim se todos esses anos fossem cumulativos, somariam 114 anos, estaria já bem velhinho, mas com os meus "114" anos estou muito bem por sinal por que tenho todas essas riqueza comigo sem contar amigos/irmãos que são meu apoio nesta longa estrada da vida, todos esses fatos/anos marcantes na minha vida foram maravilhoso, não que não tenha tido coisas ruins, mas como gosto de falar, eu só vejo o lado bom das coisas, os ruins eu aprendo com eles e descarto. Quero aqui registrar tudo isso pra que eu seja melhor que ontem, o amanha só a Deus pertence, mas que eu seja um melhor filho, melhor irmão, melhor namorado, melhor marido, melhor pai e que tenha mais uns 114 anos.



Anderson